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02-11-2015

Ameaçada de extinção, ave rara tem cabeça mais valiosa que marfim



O comércio ilegal de presas de elefante recebe frequentemente a atenção da imprensa internacional. No entanto, existe um tipo de marfim que alcança preços ainda mais elevados no mercado negro.
Este vem de uma ave raríssima e pouco conhecida chamada calau-de-capacete (Rhinoplax vigil, na nomenclatura científica), que habita florestas tropicais no leste da Ásia. E, como informa a jornalista Mary Colwell, esta ave magnífica está agora ameaçada de extinção.

Não seria boa ideia dar uma cabeçada num calau-de-capacete. A ave pesa cerca de 3 kg e tem um tipo de capacete natural, chamado de elmo, feito de queratina, uma proteína fibrosa, que se estende do bico ao crânio. Essa estrutura pode corresponder a cerca de 11% do peso total do pássaro.

Em todas as outras espécies de calau - há mais de 60 na África e Ásia -, o elmo é oco. Mas no caso dessa espécie, é sólido. Os machos usam a estrutura em combates com outros machos e ambos os sexos a usam para extrair insectos de árvores apodrecidas.

O calau-de-capacete vive na Malásia e Indonésia. Nas ilhas de Sumatra e Bornéu, os seus gritos ecoam pelas florestas. Eles tendem a alimentar-se de frutas e castanhas e com frequência são chamados de «agricultores da floresta», porque, através dos seus excrementos, espalham sementes por grandes territórios.

As suas asas podem chegar a dois metros de envergadura. De aparência chamativa, têm penas brancas e pretas e uma grande área de pele descoberta em torno da garganta. No entanto, têm fama de reclusos e cautelosos. Há muito mais hipóteses de ouvi-los do que de vê-los.

E esses pássaros têm boas razões para ser tímidos. São mortos aos milhares, anualmente, por caçadores que vendem os seus elmos para a China. Entre 2012 e 2014, somente na província de West Kalimantan, na Indonésia, 1.111 elmos foram confiscados de contrabandistas.


A investigadora Yokyok Hadiprakarsa, que estuda o calau-de-capacete, calcula que cerca de 6 mil desses pássaros sejam mortos a cada ano no leste da Ásia. O elmo - que caçadores tentam a todo o custo obter, correndo o risco de serem presos - às vezes é chamado de «marfim». É um material de cor amarelo-dourada, macio e sedoso ao toque, perfeito para ser entalhado.

Durante centenas de anos, o elmo do calau-de-capacete foi usado por artesãos chineses na produção de objectos para os ricos e poderosos. No Japão, o material foi usado por artesãos para esculpir netsuke, intrincadas figuras usadas para decorar cintos de quimonos masculinos.

Muitos desses objectos acabaram por ir parar a outras partes do mundo. Por exemplo, na Grã-Bretanha, durante a era vitoriana (século XIX), tornou-se moda coleccionar netsuke. «Há registros que mostram que o marfim de calau-de-capacete era presenteado aos shogun (generais japoneses do século XII)», disse Noriku Tsuchiya, curadora da secção japonesa do Museu Britânico, em Londres.

«Infelizmente, por volta do início do século XX, o pássaro tornou-se muito raro por causa da caça, e, hoje, o comércio legal restringe-se a um número limitado de antiguidades já certificadas», acrescentou.


Mas, apesar de ilegal, o comércio continua a ser feito às escondidas. Cada quilo de marfim de calau vale cerca de 6 mil dólares, três vezes mais do que o marfim de elefante. E, ao contrário do que ocorre com elefantes e rinocerontes mortos para extração de presas e chifres, o massacre do calau-de capacete não é denunciada pela imprensa. «Se ninguém prestar a atenção, esse pássaro vai acabar extinto», alerta Hadiprakarsa.

*Texto mantido no idioma original. 




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