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24-10-2015

Redes sociais impulsionam foodtrucks, mas empresários não descartam quedas



FoodtrucksÉ inegável que a febre das redes sociais, e todas as interações possíveis que elas proporcionam, colocam em foco e impulsionam diversas atividades. Até mesmo segmentos empresariais tiram proveito desta situação como, por exemplo, a gastronomia sobre rodas, os foodtrucks, foodbikes e afins. Em João Pessoa , os altos números de seguidores nos perfis de redes sociais comprovam o sucesso deste tipo de negócio que já pode contar até mesmo com uma clientela fixa. Os foodtrucks e foodbikes têm se espalhado pelas ruas da capital oferecendo uma proposta de comida diferenciada e itinerante aos consumidores.

Júnior Quaresma, do foodtruckCafeína Road, credita grande parte do sucesso que estes empreendimentos têm feito às redes sociais. Ele explica que "as pessoas realmente acompanham. Nós colocamos lá onde vamos estar, o que vamos servir e eles comentam, curtem, compartilham, marcam pessoas e vão ao encontro da gente".

Os empreendedores comemoram o sucesso que conquistaram com o público, mas reconhecem que a ascensão dos negócios sobre rodas pode ter data de validade. Júnior acredita que essa forma de gastronomia está em ascensão. "Pode ser que seja uma gastronomia momentânea, mas se o empreendimento for bom mesmo, ele vai ficar, porque o que vale mesmo é o sabor diferente, é a comida bem preparada", avalia. Já de acordo com a visão de Janaína Cavalcanti, proprietária da Ciclobrownie, a evidência que os negócios têm tomado fazem parte de "uma onda que a gente tem que surfar. Agora, ela vai se passar e vão se manter aqueles que têm um produto de qualidade, que tenha clientela".



Cozinha sobre rodas

As foodbikes geralmente trabalham com sobremesas e lanches rápidos, como empadas. Aqui em João Pessoa , a maioria delas traz os produtos já prontos de casa ou faltando apenas alguma finalização rápida para repassar ao consumidor.

Já os foodtrucks, que geralmente têm um cardápio mais extenso e elaborado, levam sobre as rodas uma cozinha de finalização. Hannah Maroja, proprietária do Mar"oja Burguers, explica que eles levam "tudo já cortado, já temperado, porcionado porque não é permitido preparação dentro do truck. Alimentos crus não podem ser processados dentro do truck por questão de higiene também".

Enquanto que alguns estabelecimentos preferem se especializar em um segmento culinário e oferecer um cardápio mais "restrito", outros ousam em oferecer um cardápio mais variado.

A proprietária do Truck Bistro, Pollyne Medeiros, conta que preferiu trabalhar com três opções de pratos em seu menu. "A nossa proposta é a de um mini restaurante, então todos os finais de semana nós oferecemos uma opção de massa, que normalmente é um prato quente, um sanduíche e um prato frio.E cada final de semana isso vai mudando".

Apostas no mercado

Apesar de muitos dos empreendedores serem neófitos, alguns estabelecimentos já consolidados no mercado decidiram investir na gastronomia sobre rodas, como é o caso da Sonho Doce. Thiago Pimenta conta que com a experiência do foodtruck, sente maior proximidade com sua clientela, apesar de o restaurante dispor de três lojas físicas espalhadas pela cidade. "Na rua, infelizmente a gente não consegue dar esse mesmo conforto que a gente dá nas lojas, mas em compensação, no truck a gente lança alguns produtos a mais que servem até como experiência e, dependendo da aceitação nas ruas, a gente leva para as lojas físicas", analisa Thiago.

Já Inácio Luiz, é funcionário público, mas encontrou na foodbike uma forma de complementar sua renda. Ele começou a vender dindins ainda em um isopor mas, percebendo a chegada dos empreendimentos sobre rodas, resolveu apostar também. Ele conta que após mudar a modalidade de seu empreendimento, percebeu também uma expansão nos negócios. "Todo o material foi comprado vendendo os dindins e hoje a demanda continua crescente. É tanto que eu estou precisando montar uma mini fábrica e já estou pensando em distribuir, não ficar só com a bicicleta", comenta.



Regulamentação

Como se trata de um ramo de negócios recente, os foodtrucks ainda não são regulamentados. Atualmente, existe uma discussão na Câmara Municipal de Vereadores de João Pessoa que procura um consenso em busca da regulamentação.

Os proprietários dos empreendimentos afirmam que procuraram os vereadores da capital para a discussão por considerar o processo de regulamentação importante. Hannah Maroja afirma que os proprietários dos restaurantes sobre rodas estão procurando a regulamentação por questão de legalidade. "Eu não tenho imposto sobre restaurante, que é o normal de ter. Então a gente quer ter para que seja uma "competição" igual para todos".

Thiago Pimenta também lembra que alguns foodtrucks decidiram se filiar a um sindicato "que é o Sindicato de Bares e Restaurantes e Similares, que nos abraçou" para legitimar ainda mais a causa.



"Gourmetização"

A diferenciação deste tipo de gastronomia de rua é percebida, além do próprio produto, no bolso do consumidor. Nos caminhões de comida, os preços dos pratos variam de R$ 15 até R$ 30 ou mais. Já nas bicicletas, os preços das sobremesas ficam em torno dos R$ 5.

Alguns assumem o efeito de "gourmetizar" alguns pratos tradicionais e até comuns no cardápio tradicional dos brasileiros, como os sanduíches. Já outros como Inácio Luiz, não enxergar tanto requinte no produto comercializado, afirmando que apenas deu uma repaginada no tão tradicional dindin. "Eu não diria que ele é gourmet. Eu diria que ele é artesanal, até porque sou eu que fabrico, não é de forma industrializada", defende Inácio.

Ao mesmo tempo em que os foodtrucks estão sendo aprimorados e valorizados, os ambulantes que trabalham com comida de rua permanecem em seu espaço de costume. A preços mais acessíveis e pratos mais modestos, estes trabalham geralmente em um ponto fixo e dispõem de uma clientela também já perene.

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